FAÇA MAIS BARULHO!

Reconstruir uma cena não é fácil. Principalmente uma que foi destruída cotidianamente nos últimos 20 anos.  Acredito que o termo correto seja então construir. Porque não há nada em volta, só vestígios. O que, segundo Bakunin, talvez seja algo bom.  Construir com dignidade. Não tenho grandes ambições. Ou tenho, depende do ponto de vista. Meu intuito nesse momento é o de trabalhar para construir um meio que seja mais agradável a minha pessoa. Se essa ação individual causar ou colaborar para uma reação social no meio aí vai da vontade dos outros indivíduos. Eu só busco o melhor para mim.

A cena independente foi onde encontrei abrigo para agir e propagar minhas idéias pessoais. Desde que cresci e que assumi que não sou operário para defender qualquer tipo de modelo sindicalista, achei mais sincero agir politicamente no meio em que faço parte e do qual não consigo desvencilhar meu estilo de vida, as cenas punk e independente. Com a desintegração gradual da cena nas últimas décadas, meu campo de ação foi diminuindo cada vez mais. Portanto resolvi arregaçar as mangas e lutar para retomar o espaço onde sempre tive a oportunidade de voz. E gostaria de deixar claro que, acima de qualquer coisa, essa necessidade individual é meu maior motivo.

Quero que esse seja um texto simples. Não tenho muito o que florear. Nem quero. Não sou intelectual. Não quero ser. Odeio e repudio todos eles. Então, se por vezes parecer que estou mastigando demais a coisa, pense que talvez não esteja falando só para você, mas também para pessoas que tem pouca (ou, as vezes, nenhuma) noção do que seja uma cena independente ativa. Além dos intelectuais meus maiores inimigos são os chatos. Gente que nada faz e que, com o passar dos anos, se tornou expert em apontar o dedo e criticar. Enfiem seus dedos em seus cus. Vocês são os grandes responsáveis pela cena hoje estar como está.

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O PROPÓSITO DE UMA CENA INDEPENDENTE ATIVA

Quando se fala de cena independente hoje em dia, a grande maioria das pessoas tem a imediata relação com um simples circuito de apresentação de bandas. Isso é uma das consequências, ok, mas não o motivo de querermos uma cena ativa. Se fosse só pelas bandas a coisa seria idiota e sem sentido. Seria mais fácil alugar novos lugares e cobrar ingressos que mantenham novos clubes. E para isso não é necessário ter qualquer ideologia ou propósito, só dinheiro.

Independência significa auto-suficiência. Significa criar um ambiente onde o Estado tenha cada vez menos controle sobre o que pensamos, o que produzimos e como vivemos.  Essa é a idéia. Desde sempre a revolta/consciência da juventude foi manipulada e censurada por aparatos que a mantiveram sob controle. Ser independente significa cagar e andar para o que a sociedade pensa e sobre seus bons modos e posturas socialmente aceitáveis. Fazer o que bem entender e da maneira que quiser sem se importar com a opinião alheia.

O propósito de uma cena independente deve ser o de oferecer resistência ao controle do Estado – ou das corporações e instituições que o mantém – sobre o indivíduo e sua plenitude existencial e criativa. O de criar um ambiente onde as pessoas possam conviver da maneira que desejarem, fora dos padrões de controle social. E com isso sim produzir arte, literatura, música e todos derivados de uma existência sem limites. Este é o propósito que foi distorcido, pisoteado e esmagado nos últimos 20 anos. Tornaram pouco a pouco a cena independente em algo meramente termológico, estéril e sem propósito. Um sub-sistema imbecil e sem sentido.

Construir uma nova cena significa oposição direta a tudo isso. E não apenas ser contra, mas enfrentar e destruir toda essa merda. O primeiro passo para a construção de uma nova cena é o resgate do espírito revolucionário que a fez necessária e urgente. Queremos respirar e queremos respirar sem controle do Estado ou da moral capitalista. Você quer? Então use sua raiva para derrubar os muros e seu desejo para criar uma cena boa para você mesmo. Você não quer? Então suma e arrume um emprego pois você faz parte do problema.

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PRINCÍPIOS

O primeiro obstáculo a se vencer é esse chavão imbecil de que o “capitalismo e o sistema” são seus maiores inimigos. Porra nenhuma. Seu maior inimigo é você mesmo. O inimigo vive em você e ele precisa morrer para que a coisa comece a caminhar. Não por mim, nem pela cena, nem por qualquer outra pessoa, mas por você mesmo você deve se perguntar que porcaria você quer nesse meio? Porque não está estudando e ganhando dinheiro para sustentar de maneira decente uma família? Você quer mesmo passar o resto da sua vida assim?

A raiz da cena independente veio do DIY, Do It Yourself, ou Faça Você Mesmo. Este, por sua vez, surgiu como uma extensão dos princípios anarquistas que solidificaram toda essa resistência. Após o surgimento do punk, as pessoas começaram a se organizar de maneira independente em coletivos, bandas ou centros de convivência. Tudo isso gerou um circuito que não se limitava apenas a shows ou atividades mas transcendia a uma resistência individual cotidiana, a um SER independente muito acima de um ESTAR independente.

O anarquismo, filosofia que defende a liberdade total do indivíduo e a abolição completa do Estado e suas instituições, sempre teve forte influência na cena independente. Não que para ser independente seja necessário ser anarquista, mas o anarquismo sempre manteve o independente como algo revolucionário e deu pulso para que independência fosse cada vez mais relacionada a conspiração e resistência. O Estado quer controle. Nós queremos viver livres. O Estado exclui os rebeldes. Foda-se, nós não reconhecemos nem queremos o Estado em nossas vidas.

Para construir uma nova cena o primeiro passo deve ser a solidificação dos princípios de independência no meio. Para isso é necessário: 1 – Não julgar quem não compartilha dos mesmos princípios mas sim trabalhar com quem compartilha. 2 – Não pregar uma verdade absoluta mas ter paciência e mostrar alternativas.  3 – Não segregar e sim aproveitar o interesse das pessoas, por mais fútil que seja, pelo meio independente para semear rebeldia. Gente dogmática é chata, cansativa e só afasta as pessoas do interesse por novas visões de como a realidade pode ser transformada.

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EDUCAÇÃO

Olhe em volta. Esqueça por um segundo os ícones que você tanto odeia, as bandas do meio que se prostituiram, o sistema injusto de shows e todas essas coisas superficiais que só afastam seu ódio do real objetivo. Temos um cenário gigantesco. Milhares de pessoas perdidas falando pelos cotovelos sobre o que não entendem (mas fingindo entender), uma correndo para cada lado nos eventos, shows, locais de convívio. E a grande estratégia do Estado é essa mesmo, manter a rebeldia confusa, desordenada, burra e perdida, para que tudo aos poucos se dissipe em cansaço, frustração, derrota e, principalmente, comércio.

Primeiro passo: auto educação. É necessário que cada um de nós faça uma auto-avaliação de princípios e objetivos. Curtir o rolê é foda, delicioso, saudável, mas deve ser uma consequência de nossos atos, não o objetivo. Se eduque. Desconhece algo? Pergunte. Ninguém nasce sabendo. 20 anos depois temos tudo o que sempre quisemos em mãos e não fazemos uso disso: informação de fácil acesso, internet, e-books… Pesquise. Aprenda. Não vá pelo “ouvi falar que é isso” ou “acho que é aquilo”. Seja auto-didata, seja seu próprio professor e desenvolva seus próprios conceitos.

Segundo passo: compartilhar. Com calma, tolerância e paciência, discuta as coisas com as pessoas a seu redor. Mostre a informação que conhece, compartilhe, estenda a mão e ajude novas pessoas a buscarem seus próprios conhecimentos. Enquanto todas essas pessoas forem somente criticadas por consumir tudo que “a mídia” vomita, como dizem por aí, nada vai mudar. Pare de criticar e eduque. Divida seus pontos de vista e mostre alternativas. E acima de tudo tenha a cabeça aberta. Muitas vezes aprendemos mais com visões que julgamos ingênuas do que com livros e mestrados.

Não se isole. Vá ao meio, mesmo que deteste as roupas e músicas. Enxergue as pessoas, os indivíduos, faça novos amigos, espalhe o pensamento rebelde, o questionamento, a aversão ao Estado e a todo mal que ele acarreta ao nosso meio. Precisamos educar para construir uma cena independente forte e com bons alicerces. Se construirmos apenas por construir, sem uma base sólida, tudo não vai passar de um mero impulso, que logo vai sumir com a chegada das novas gerações. É preciso educar e construir uma base sólida para cada vez mais receber e disseminar o espírito revolucionário no meio independente.

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PROPÓSITOS

Sabe quando seu hard disk começa a travar? Imagine o quadro que temos hoje como um grande hard disk, rodando e mantendo toda cena sob controle. O que precisamos é criar cada vez mais áreas com defeitos permanentes, disseminar a resistência e a rebeldia como um vírus, para enfim tornar esse hard disk inutilizável e sem propósito. E para criar essas áreas com defeito permanente precisamos primeiro, através da educação, como disse anteriormente, criar um ambiente rebelde, para que este ambiente, por sua vez, propicie o nascimento de alicerces ingovernáveis, ou seja, indivíduos fora de controle.

Eu não acredito em grupos. Sou contra a organização revolucionária em grupos. Acredito que a chave esteja em indivíduos que queiram o melhor para suas próprias vidas, não no altruísmo. O altruísmo deve ser uma consequência de um estado de consciência individual evoluído através da existência em solidariedade e não um meio. Não somos freiras caridosas, somos punks feios e absurdamente interessados naquilo que nos dá prazer e satisfação. Se queremos uma nova cena independente isso deve ser pura e simplesmente porque achamos isso bom para nós, não uma bondade para o mundo.

Portanto construir uma cena independente significa ter um ambiente bom para se conviver, com espírito de resistência, que proporcione uma atividade auto-suficiente que dê espaço para novos indivíduos, artistas, escritores, bandas e, principalmente (onde reside o objetivo de meu empenho) para semear novas idéias e alternativas sociais. E o impulso que deve gerar tudo isso só pode vir do desejo individual. Ninguém faz nada que não quer com prazer e dedicação. Encarar uma nova realidade como um benefício a si mesmo é o primeiro passo para querer transformá-la.

Através da disseminação de nosso vírus, o pensamento rebelde, o questionamento, a educação individual rumo a revolta consciente, o compartilhar da informação, o estender a mão ao invés de segregar e agredir, vamos tomar cada vez mais espaço  e conseguir cada vez mais áreas onde o Estado seja repudiado e cuspido de nosso meio. Em outras palavras, estamos sujos até os pescoços dessa lama imunda do Estado e para construirmos algo novo e limpo o primeiro passo é um bom e belo banho.

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MUDANÇA IMEDIATA DE AÇÕES E ATITUDES

Em seu “Programa Anarquista”, Malatesta bem o coloca, que “Entre o homem e a ambiência social há uma ação recíproca. Os homens fazem a sociedade tal como é, e a sociedade faz os homens tais como são, resultando disso um tipo de circulo vicioso:  para transformar a sociedade é preciso transformar os homens, e para transformar os homens é  preciso transformar a sociedade.” Eu acredito que o mesmo se aplica ao nosso meio. Ao passo que precisamos educar os indivíduos para solidificarmos nossas bases, precisamos começar JÁ uma transformação estrutural no ambiente independente.

Não podemos esperar a educação, tudo deve ser feito em paralelo. Aliás, a mudança radical no ambiente independente há até de facilitar a educação no meio. Esse trabalho conjunto de educação e ação no ambiente comum é o que pode construir uma nova cena, e para isso necessitamos de atitudes imediatas. Primeiro, não abrace o mundo. Comece com poucas, pessoas, as mais espertas que conhecer. Espertas não quer dizer cultas e sim aptas a entender novas idéias e conhecimentos. Não se sinta nem aja como superior, seja uma mão estendida, apenas mostre alternativas, sejam elas musicas com mais conteúdo, livros de conteúdo revolucionário, filmes, centros de cultura, debata, ajude no desenvolver das idéias mas também, e principalmente, não force, e sim abra caminho para a auto-descoberta.

Busque por pessoas que tenham interesse em agir em parceria para construir a nova cena e incentive. Sempre incentive! Mostre a força da propaganda pela ação. Organize eventos, palestras, debates, shows, zines, qualquer coisa que seja, mas fundamentando sempre a escola do “você é capaz de fazer isso sozinho e não precisa de mim para isso”. Mostre para as pessoas que é simples, que é só pegar e fazer, e que qualquer um é capaz de tomar uma atitude. Que não precisamos de produtores, orgãos governamentais e muito menos de permissão e de aprovação para nossos atos. É só pegar e fazer. Se não com outras pessoas, faremos sozinhos. Um simples cartaz que seja, se elaborado por um impulso individual autêntico, já é uma semente de insubmissão e um passo para novas atitudes sem controle.

Todos os anos novas gerações chegam com suas novas modas e tendências fulminando o nosso meio. E o que fazemos? Xingamos, apedrejamos, repudiamos e deixamos tudo para o Estado fazer o que bem entender. Dificultamos cada vez mais que as pessoas tenham acesso a nosso meio por medo de perder as migalhas que nos restaram. Uma atitude completamente suicida, auto-destrutiva e imbecil. Vamos ficar velhos e cada vez mais fracos. Para cada impulso de moda que aparecer devemos estar lá e mostrar novos caminhos, estender a mão, oferecer alternativas. O Estado tem a mídia, o poder das novelas e das rádios. Nós temos algo mais forte: AS RUAS. Enquanto eles vomitam propaganda nós estamos bem mais próximos de seus cordeiros do que eles imaginam. E é hora de pintar cada vez mais as novas ovelhas brancas de preto.

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NÃO AOS GRUPOS. SIM A INFILTRAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DE UM NOVO CIRCUITO

Selecione as pessoas com que tem afinidade e estabeleça reuniões no mínimo semanais em prol de atividades conjuntas. Não crie um grupo. Não dê nome a esse grupo de pessoas. Apenas estabeleça o costume de ação temporária por objetivos comuns e, principalmente, incentive que as pessoas com quem faz coisas em conjunto também façam coisas em conjunto com pessoas completamente diferentes e por objetivos diferentes. Assim o controle do Estado será impossível, não se criarão estruturas, ícones, centralizações e ninguém dependerá da presença nem da aprovação de ninguém para fazer o que bem entender.

Desde novos somos ensinados que precisamos conquistar e “pedir” espaços para expressar nossas idéias e vontades. Permissão para isso, alvará para aquilo e bla bla bla. Foda-se tudo isso! Temos milhares de adultos com mais de 30 anos envolvidos na cena independente que se comportam como criancinhas de 5 anos pedindo permissão para aumentar o volume da televisão. Crianças que precisam acordar! Nossos pais estão velhos ou mortos e o mundo agora é nosso. Um mundo cheio de espaços, teatros, casas, ruas, praças, que só precisam que alguém vá lá e utilize. E não precisamos de autorização de NINGUÉM para isso.

O mais importante é fugir do sistema estabelecido de que o independente seja apenas um circuito de bandas e não um espírito voluntário de rebeldia. Se a música é o que há de mais forte e o que mais atrai pessoas ao meio, que a usemos então para infestar o meio de tudo A MAIS que queremos. Organize shows fora do circuito “casas-de-shows-quero-ser-famoso-olhe-para-mim” e mostre que é possível ter uma cena só de pessoas e sem sanguessugas. Incentive o surgimento de novos zines, por exemplo. Mostre às pessoas o poder que elas tem enquanto indivíduos para fazerem suas vozes serem ouvidas.

Por exemplo, dezenas de ONGs culturais estão jogadas as traças e muitas delas foram criadas apenas com propósitos político-partidários para mamar nas tetas do Governo; não fazem nada, não produzem nada e, quando fazem muitas vezes é apenas para cumprir tabela e continuar recebendo verbas que geralmente vão para os bolsos de diretorias e demais parasitas. Vasculhe sua cidade. A maioria dessas ONGs precisam que o espaço seja utilizado para justificar sua existência. Seja esperto. Tome esses espaços e se infiltre. Conspire como um virus, um pouco mais a cada dia, e torne o controle cada vez mais livre do Estado. E se não houverem ONGs começe a vasculhar os espaços culturais de sua cidade, SESCs, Teatros, Associações de Bairro, qualquer coisa que seja. Faça amizades, se infiltre e abra espaço para a cultura independente.

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